Segunda-feira, 18 de Abril de 2011


Os senhores do poder absoluto

Com o 25 de Abril, após um regime provinciano, clerical e repressivo, renasceu a esperança e a vontade de construir a felicidade. Porem, após trinta e sete anos de poder absoluto dos políticos, já nem a ilusão subsiste.

Ocupamos quase sempre as piores posições, em praticamente todos os indicadores, quando comparados com os outros países europeus. A qualidade dos serviços públicos, a corrupção política e económica, a qualidade da saúde dos cidadãos, a qualidade da educação, o desnível dos rendimentos entre cidadãos, … Não é de admirar que sejamos um dos maiores consumidores de antidepressivos e que apresentemos uma das taxas de natalidade mais baixas da Europa. Anualmente, mais de 60.000 cidadãos são obrigados a abandonar o País, e não voltam mais. Todos estes sintomas levam a crer que somos realmente, há décadas, oprimidos e humilhados, e que não conseguimos sair desta situação.

Que tem tudo isto a ver com a ‘crise económico-financeira’? Muito pouco, a não ser o facto de os gestores de tudo isto, serem os políticos.

Se não vejamos: não são os políticos que concebem os planos de desenvolvimento e governam o País, que mandam executar esses mesmos planos, que tem a autoridade para controlar a sua execução e que utilizam como querem os recursos financeiros, económicos, naturais e humanos do País?

Após as eleições, o cidadão nade mais tem a dizer e durante as eleições, quem fala são os políticos. São os políticos que tomam todas as decisões relativas ao País, determinando assim a existência de cada um de nós, até ao seu mais ínfimo pormenor. O cidadão nada tem a dizer, com ou sem greves, com ou sem manifestações. Através dos actos eleitorais, os políticos, sejam eles quais forem, adquirem o poder absoluto e a imunidade pelo que fazem. Isto é absolutamente ridículo! Os senhores do poder absoluto não são responsáveis pelo exercício do poder!

 

 Crise? Que crise?

Se é um facto inegável que o País gasta permanentemente mais do que produz, convêm procurar os responsáveis.

Quem gere as contas públicas, o dinheiro e os recursos do País há 37 anos? Quem pediu emprestado o dinheiro aos bancos e às instituições estrangeiras? Quem distribui e gastou o dinheiro como muito bem entendeu? Eu? A senhora? O senhor? Não me parece.

Não menos grave, o dinheiro não foi igualmente distribuído pelos cidadãos nem foi sabiamente investido. A grande maioria dos cidadãos tem um nível e qualidade de vida perfeitamente degradante. Vinte por cento dos cidadãos tiveram acesso ao dinheiro e gastaram-no, fundamentalmente, em artigos de consumo importados e status.

O País continua a não produzir o que necessita, vendeu o que tinha, ficou a dever o que não tem e reteve o lixo após o consumo. Como é isto possível, quem faz isto na sua própria casa?

 

 O bem-estar do cidadão

Porque não se criou uma agricultura e pesca moderna, eficiente e pujante? Porque estão os bosques, florestas, serras, planícies e rios abandonados? Porque está o País desertificado e não há nem lazer nem turismo ambiental? Porque não foram os empresários, directores e administradores obrigados a tornarem-se eficientes, humanizar e democratizar as relações de trabalho?

Porque não há um plano económico e financeiro, abrangente e consistente que defina o que tem de ser produzido, como e quando, segundo critérios de sustentabilidade e responsabilidade ambiental e social?

Porque razão não se descentralizou o poder central e não se deslocou para o interior os serviços administrativos e ministeriais?

Porque razão não se libertou o ensino do poder sufocante do ministério da educação e não se deu às juntas de freguesias, câmaras municipais e às regiões a responsabilidade e o prazer de efectuarem o que o cidadão lhes incumbe?

Porque não se estimulou o desempenho, a honestidade, a solidariedade e o orgulho de colaborar para o bem comum?

 

 Os políticos violam as instituições

Temos um País onde as instituições não funcionam assim como tudo o que de perto ou de longe está ligado ou dependente do Estado. Os políticos tomaram de assalto o Estado e o País colocando nas chefias os seus filiados e clientes. As instituições sufocaram e apodreceram.

Porque é que nada funciona em condições? Nem os hospitais, nem os tribunais, nem o parlamento, nem as escolas e os organismos ministeriais, nem a protecção e assistência à criança e ao cidadão em dificuldade.

Porquê a má qualidade das estradas e auto-estradas, da sinalização, da policia e da justiça, da administração pública,…?

Porque é que metade do País está deserto, as grandes cidades mal construídas e com o centro em ruínas?

Porque é que a legislação laboral é fonte de tanta insegurança e descontentamento? Não deveria ser o contrário?

Porque é que o sistema fiscal e jurídico é tão alheio aos interesses dos cidadãos e do País?

Porque é que o cidadão continua a perder tempo sem fim com procedimentos, papeis e filas infinitas nas escolas e repartições?
Porque é que não há concorrência comercial e o cidadão é obrigado a pagar os artigos de grande consumo a preços exorbitantes?

Tudo isto sufoca, desmoraliza e deprime o cidadão. Esta é a nossa crise.

Para sairmos dela teremos de assumir a responsabilidade de dispensar os políticos e de criar a sociedade que queremos. Uma sociedade onde o cidadão não permite que lhe roubem a sua dignidade, uma sociedade onde o cidadão exerce o seu poder, a qualquer momento, sobre qualquer assunto.

 

 

O estado laico e apartidário

A democracia não é estática e a actual não funciona. A prática democrática actual mais faz lembrar a democracia tribal onde se escolhe o chefe e o conselho tribal que a partir daí são os únicos detentores de poder. Esta democracia coexistiu e coexiste perfeitamente com a escravatura, a exclusão da mulher, as castas, a pobreza extrema, o trabalho infantil e todo o tipo de abusos.

Hoje o cidadão tem acesso a toda a informação que quiser e pode manifestar a sua opinião a qualquer momento, em tempo real.

Assim o Estado pode perfeitamente ser gerido por indivíduos, nomeados pelos cidadãos para executarem um plano de trabalho. Este plano de trabalho foi de antemão elaborado e aprovado pelos cidadãos. A responsabilidade da equipa de gestão está no compromisso que assumiu de obter os objectivos que lhe foram fixados. O cidadão obriga-se periodicamente a aprovar ou sancionar o trabalho da equipa. Esta pode ser chamada a qualquer momento a prestar contas, podendo ser despedida se os cidadãos assim o acharem.

É o cidadão, em grupos cívicos ou como muito bem entender, que determina ao nível local e nacional, o que quer e como quer: elabora o plano de desenvolvimento e o orçamento.

 

Mudar não é fácil, mas é rejuvenescedor e também parece não haver outra alternativa.

No entanto os políticos vão-se opor, vão defender a sua democracia e utilizar para isso os muitos meios que têm ao seu dispor.

Ao cidadão resta organizar-se, por exemplo em grupos cívicos, a perseverança nas suas exigências e a não utilização da violência. Os políticos são, neste momento, muito mais fortes que todos os cidadãos juntos.

 

Menezes e Cunha

 

Abril de 2011

 

 

 

 

 



publicado por menezesecunha às 13:55 | link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
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“I want my dreams back” _____________________________ Recrear a democracia, ____________ devolver o poder ao cidadão, despedir os políticos. __________ ______________________________ “Pride in running our own live”
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